Dois grandes programas de humor da televisão brasileira, classificados como oponentes pela mídia e telespectadores, agora dividem espaço na mesma emissora. A rede Bandeirantes, que já vinha pleiteando o passe da equipe do Pânico há algum tempo, anunciou, no dia 17 de fevereiro, a assinatura do contrato com o programa, que estreia em março na nova casa. Talvez seja um primeiro passo para que, definitivamente, cessem as comparações e burburinhos de concorrência entre o CQC e o Pânico, agora, colegas de emissora. Ou talvez, a emissora pretenda apimentar mais ainda essa briga de primos, que tanto deu o que falar desde o lançamento da versão brasileira do Custe o Que Custar, originalmente, Caiga Quien Caiga, da produtora argentina Cuatro Cabezas. Primos bem distantes, diga-se de passagem. Afinal, não existe nenhum argumento coerente para ter-se construído tanta picuinha em torno dos dois programas, primeiro, porque produzem um estilo completamente diferente de humor: enquanto o Pânico trabalha com o nosense, pautado no mundo das celebridades, o CQC tem uma proposta de fazer humor com formato jornalístico, pautado, principalmente, em assuntos políticos. Inúmeras diferenças gritantes podem ser apresentadas aqui, desde o formato dos programas até a postura e trajetória dos mediadores.
O Pânico nasceu no rádio, o CQC é originariamente, pensado para a televisão. O Pânico se propõe a fazer as pessoas se matarem de rir, enquanto o CQC, além disso, disputa uma posição de interferência na esfera pública. Como essa “falsa” concorrência surgiu no imaginário nacional não se sabe, mas ficou claro que quem estava vendo toda essa confusão de fora notou que ela até podia dar ibope. Uma pista da coerência desta hipótese foi a recepção dos apresentadores do CQC, Marcelo Tas, Oscar Filho e Marco Luque, aos novos colegas do Pânico na TV. No último dia 12, os principais apresentadores dos dois programas, Tas e Emílio Surita, tiveram a chance de transbordar suas vaidades, ao vivo, em uma troca de faíscas digna de muitos pontos de audiência. Tas começa o duelo com sua gentileza ácida: “Se precisarem de alguma dica, podem falar… afinal, vocês estão vindo para uma emissora maior, a gente tem um humor mais sofisticado”. Emílio rebate, sugerindo que o “concorrente” é “sem graça”, e Tas replica falando que “engraçado mesmo deve ser mostrar mulher pelada” e ainda insinua que o oponente não tem liberdade de expressão, tendo que “pedir autorização” para mostrar certas imagens. Depois das farpas, a integrante Sabrina Sato foi enviada pela equipe do Pânico como um presente para selar a paz com o CQC, que tentou retribuir a gentileza, enviando a repórter Mônica Iozzi para a equipe do Pânico, mas teve o presente recusado.
A probabilidade de que este intercâmbio aconteça periodicamente não é pequena, afinal, dois concorrentes enchendo um mesmo cofre é tudo que qualquer banco quer. Torço contra, afinal, água e óleo não se misturam.
Assista o duelo: http://cqc.band.com.br/video.asp?id=2c9f94b43602ecf7013609fb989604e0
**Crítica produzida para o site do Grupo de Pesquisa de Análise em Telejornalismo, publicada em 19/03/2012. Acessar a publicação original em: http://telejornalismo.org/?p=1303
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