Eis que estou eu aqui, às 2h55 da manhã, inventando arte. Em pleno processo de monografia, num momento de dispersão [não tão distante do meu foco], resolvi criar este blog para compilar todas as considerações que venho fazendo, por meio das redes sociais, sobre programas televisivos. A partir de agora, vou publicá-las, diretamente, aqui.Também publicarei as críticas que escrevo para o site do Grupo de Pesquisa de Análise em Telejornalismo, do qual sou pesquisadora (com muita honra), sob orientação da engajada e respeitada analista da televisão brasileira, Itania Gomes. Entretanto, é preciso deixar claro que este blog não tem ligações diretas com minha pesquisa no grupo, nem participação dos outros membros. Neste espaço, eu pretendo negociar as minhas experiências acadêmicas, que me levam a um caminho muito mais analítico acerca do funcionamento dos programas televisivos (analisando forma, conteúdo e capacidade comunicativa), com as minhas impressões como telespectadora, enquanto cidadã que deseja uma televisão aberta mais rica do que a disponível atualmente.
Quero compartilhar minhas opiniões com outras pessoas e conhecer a opinião alheia também, pois acredito no potencial comunicativo da televisão; creio ser uma poderosa arma em favor da democracia, se for discutida e questionada pelos sujeitos da sociedade. Enquanto isso não for feito por todos, cabe a nós, que dedicamos nosso tempo para isso, trocar informações. Porque enquanto uns fecham os olhos para ela e se calam, outros milhões de brasileiros continuam perpetuando os laços cotidianos com a telinha. Porque não acredito em manipulação. Todos somos sujeitos ativos, pensantes e independente do nível econômico ou escolar, estabelecemos formas próprias de negociação e resistência. Acredito em uma população 'desinstrumentalizada' [por conta do Estado, que não investe em educação] para lidar com um meio que surgiu, pelo menos no Brasil, como um lugar de atuação direta do capitalismo. Afinal, para quem não sabe, a TV já nasceu comercial no Brasil. Financiada por grandes empresas, seus produtos iniciais eram peças publicitárias e até as que não eram, possuíam ligações e referências visíveis com o anunciante. Basta lembrar do Repórter Esso.
E desde lá, nada mudou. O que não impediu a TV de, durante o seu desenvolvimento e experimentação, adquirir novos sentidos e, em sua época de brilhantina, ter lançado grandes nomes da cultura brasileira - da música, do teatro, da literatura - além de produzir muita coisa boa em termos de programas revolucionários e, incrivelmente, contra-hegemônicos. A diferença é que naquela época havia demanda na sociedade para aquilo, havia espaço e pessoas interessadas em fazer a televisão acontecer da melhor forma no país. Muitas pessoas bem-intencionadas! Idealistas no meio da loucura do mercado publicitário, rodando no bambolê para conseguir negociar os interesses do patrão com um bom conteúdo para a população. Estes estão cada vez mais raros, hoje em dia, fato. Mas e aí? As gerações se renovam e nós, comunicólogos ou não, é quem vamos criar essas novas demandas, essa nova mão-de-obra preocupada com questões sociais e culturais. Marx diz [falo no presente porque ele não vai morrer nunca] que o capitalismo contém, em si, suas próprias armadilhas; oferece os mecanismos para a sua própria supressão. E a Televisão é um bom exemplo destas armadilhas.
Se trabalharmos por uma TV de qualidade, fomentando o debate sobre ela na sociedade, teremos dado um primeiro passo para uma verdadeira transformação social - que deve se dar, antes de tudo, através da consciência coletiva - pois, gostem ou não, boa ou ruim, ela é o meio de comunicação com o maior poder de interpelação já verificado pelos investigadores da comunicação.
Bruna Rocha
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